sexta-feira, abril 28, 2006

Pérola de sabedoria

Se estiveres doente, vai ao médico. Afinal, ele precisa de viver.
Se o médico te receitar medicamentos, vai à farmácia e compra-os. Afinal, o farmacêutico precisa de viver.
Quando chegares a casa, deita os medicamentos fora. Afinal, tu também precisas de viver.


Aprendi esta piada há muitos muitos anos, quando ainda era uma catraia que ia ao pediatra, em vez de a um médico a sério. E nunca mais me esqueci. Provavelmente por isso, hoje fui ao médico, e a seguir à farmácia, comprei gotas para os olhos e outras para o nariz, e deitei as segundas fora. É que se as primeiras realmente me fazem falta (uma conjuntivite não é de ignorar), prefiro continuar a espirrar do que meter gotas no nariz.
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Espartanos

O meu puto é demais. No outro dia, "esqueceu-se" de trazer os trabalhos de casa, e assim ganhou a possibilidade de passar a tarde a brincar. Eu apercebi-me e disse-lhe que no dia seguinte trouxesse as coisas para os fazer, naquela de "mais vale tarde que nunca", e até podia ser que o professor não se chateasse. Estas coisas às vezes acontecem, e não vale a pena fazer grande drama por causa disso, principalmente quando o professor também não dá grande importância ao assunto.
No dia seguinte, quando o miúdo chega da escola, vem, muito orgulhoso, contar-me as novidades. Um outro miúdo também se tinha esquecido dos trabalhos de casa, e quando avisou o professor, este adiou a correcção dos tpcs para depois, e mandou todos os meninos fazer uma ficha qualquer no livro. Ora, o meu puto aproveitou logo para não dizer nada sobre os seus próprios trabalhos esquecidos, e tratar de os fazer em conjunto com a outra ficha. Como houve um miúdo que o topou, pediu-lhe logo que não dissesse nada ao professor, a ver se se safava desta. E chegando a casa, claro que tinha que me contar, com grande orgulho, o que tinha feito. Que é que eu havia de fazer? Podia castigá-lo por não ter dito a verdade, por não ter feito os trabalhos na altura devida, ou até por andar a fazer maroteiras como se fosse uma coisa que se deva fazer. Ou podia aproveitar para um momento de confidências mãe-filho, e contar-lhe que quando eu era da idade dele às vezes também fazia o mesmo, mas que era melhor que não se voltasse a esquecer dos trabalhos na escola, que é a maneira mais segura de não se meter em sarilhos. Optei pela segunda escolha, até porque o miúdo normalmente não se mete em problemas pelo que não vale a pena fazer uma tempestade num copo de água quando se pode transmitir a mesma mensagem de uma forma menos conflituosa.
Depois disto, o miúdo achou imensa piada à minha história. E foi buscar um dos livros dele para me mostrar como ele era parecido com os gregos antigos. É que segundo o livro dele, havia uns gregos, os espartanos, que faziam tudo o possível, incluindo mentir e enganar, para se livrarem de problemas. Eu não sabia disto. Mas o mais chocante foi ver o puto todo contente a identificar-se como trapaceiro. Estou tramada com ele.
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É a primavera

Já há uns dias que ando incomodada. Tenho o olho esquerdo inchado, vermelho, a fazer uma comichão danada, e para ajudar à festa outra comichão nos ouvidos que não consigo sequer coçar, e um nariz ranhoso que me faz espirrar a toda a hora. Deve ser uma alergia, o que até vai bem com a época do ano. O que me chateia mais é que só é primavera no calendário. 10-13 graus, chuva, e dias inteiros em que o céu é branco e cinzento não corresponde propriamente à primavera, pois não?
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quinta-feira, abril 27, 2006

Castelo

Aqueles gajos do concurso "A Herança" são maus. Muito maus. Já não bastava o sorridente Malato falar de comida a cada 2 segundos, a publicidade à singer durante todo o programa, e as bocas foleiras, piadas secas e ditos supostamente espirituosos com que o anafado apresentador nos brinda em cada oportunidade - mais valia que estivese calado e passasse mas é para as perguntas e/ou as respostas que é para isso que ali está e já não há pachorra para apanhar secas destas - não. Quando uma gaja chega ao jogo final com uma pipa de massa em potencial, devem ter tremido os tomates a quem decide qual o puzzle final. Ou melhor, a quem passa o cheque aos vencedores. Tanto que saem à gaja 3 pistas inúteis, que é assim que se deveriam chamar às pistas que são os nomes de escritores, cantores, autores, etc. de inúmeras obras artísticas, ou ainda a nomes enganadores de obras dos mesmos, e duas pistas que podem dizer tudo ou nada: "branco" e "residência". Apesar de ver o concurso muitas vezes, porque acho piada ao jogo final, apesar de acertar quase sempre na palavra (aí umas 8 ou 9 vezes em cada 10), nunca na vida me passaria pela cabeça a solução deste "puzzle". À génia (eu bem sei que esta palavra não existe) que acertou na palavra, tiro o meu chapéu. E ainda assim não consigo evitar a irritação por sentir que foi injusta e propositada a escolha de um puzzle final tão "toma lá que já te lixas".
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Desaparecido no éter

Os últimos episódios dos Morangos com açúcar têm tido um pano negro por trás. Sabendo, como todos sabemos, que a morte de um dos actores teria que levar a um "fim" do personagem (ou eventualmente a uma substituição, o que provavelmente seria um desastre), é engraçado ver o que estava a acontecer ainda antes deste desfecho imprevisível.
O Michael foi-se embora. A Salomé regressou a Cabo Verde. A Teresinha já tinha ido há uns meses largos. No momento, resta(va)m o Dino, o Fred e a Alice numa casa que já tinha albergado (umas em cima das outras, mas enfim) 7 pessoas. Seguindo os resumos da tvi, dá para perceber que o Dino foi, pura e simplesmente, apagado. A Alice e o Fred decidem ir para o Algarve por causa da Teresinha, e assim, em vez de uma, ficamos com 3 personagens desaparecidas. Isto para não contar com o Michael e a Salomé, pois estes, na minha opinião, não aqueciam nem arrefeciam.
Pergunto-me se faria mesmo parte do guião este afastamento da Alice e do Fred. Como se já não bastasse o desaparecimento do puto que fazia rir toda a gente, acabam com os berros da Alice e a sensatez do Fred. Pode ser uma solução que resulta. É certamente uma solução fácil, comparativamente a, por exemplo, criar uma história trágica de morte ou desaparecimento forçado por motivos daqueles que acontecem todos os dias. Mas perder três personagens não é melhor que perder uma.
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terça-feira, abril 25, 2006

Liberdade

Ao ligar a televisao, apanho com os "Capitaes de Abril" a meio. Nunca vi o filme, e como já vai a meio, preparo-me para mudar de canal, pois nao gosto lá muito de comecar a ver filmes incompletos. Ainda assim, apanho duas cenas que me ficarao na memória por algum tempo.
A primeira, a de um repórter a entrevistar pessoas na rua. Faz-me pensar como é que seria uma revolucao nos tempos de hoje. Com jornalistas por todo o lado a entrevistar todos os zés ninguéns que encontrassem, concerteza. Com gente a falar do que nao sabe (e nao foi sempre assim?) e a gente que sabe a ficar calada.
A segunda, com um bando de mulheres a gritar "Liberdade sexual! Liberdade sexual! Liberdade sexual!" sem parar. Ainda hoje poderiam gritar. Deveriam gritar. Mas duvido que alguma vez, em Portugal, tenha havido tantas mulheres juntas na rua a gritar pela liberdade sexual, como houve quando fizeram este filme.
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segunda-feira, abril 24, 2006

Don't mention the war

Munique é uma excitação. Já estava com saudades das novidades a toda a hora, do bulício interminável desta cidade, da segurança que milhares de polícias nos proporcionam todos os dias. Esta manhã descobriram uma bomba perto do centro de Munique. Se não fosse a minha mania de vir a ouvir CDs no carro provavelmente teria sabido disto logo ao vir para o trabalho e teria voltado para trás. Logo hoje, um dia de sol maravilhoso, primavera a sério, daqueles dias em que deveria ser obrigatório não trabalhar. Como há tanta polícia em Munique, nem achei estranho ver vários carros passar com as sirenes ligadas. Pouca sorte. Ainda para mais esta bomba está relativamente perto do meu local de trabalho, perto de mais para o meu gosto. Infelizmente, só descobri tarde de mais, e agora não me posso ir embora antes de tentarem levar a bomba para outro lado. Vou fazer figas durante as próximas horas. Com um bocado de sorte não explode nada, e até os vidros saem inteiros.

Isto não é nenhuma ameaça terrorista. É "apenas" uma bomba de 250Kg que ficou por aí esquecida pelos aliados durante a segunda guerra mundial. (notícia, em alemão, aqui).
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back to business

As férias foram boas, solarengas, maravilhosas. A pior parte foi terem acabado. De volta à vida normal, descobri que as últimas duas plantas que tinha comprado morreram (que novidade, até parece que não estava nada à espera), e que não há resistência como a dos bambus (mesmo depois de 5 semanas sem água, sobrevivem).
O blog segue dentro de momentos.
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quinta-feira, abril 13, 2006

Caros leitores

O tasco estará fechado nos próximos dias. Quer dizer, de porta e arquivos abertos, mas sem actualizações. Elogios, insultos, regabofes, festas, guerras, o que quiserem, podem deixar/fazer na caixa de comentários. Não há censura, nem há letrinhas, por isso é à fartazana, toca a aproveitar.
Eu vou ali apanhar sol e já venho.
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quarta-feira, abril 12, 2006

Comer bem

Ir a um restaurante bávaro (ou se calhar é só em Munique) é uma experiência quase do outro mundo.
Para começar, não há mesas e cadeiras normais. Há umas tábuas de madeira compridas que servem de mesa, e outras tábuas de madeira compridas que servem de bancos. Um mimo. Claro que depende de restaurante para restaurante, alguns até têm cadeiras a sério, em madeira do género da que é usada nas mesas. Em geral, o ambiente é um bocado escuro. Por vezes há música (bávara) ao vivo. Nessas alturas o ambiente é parecido com o que se vive na Oktoberfest, mas com menos gente a dançar em cima das mesas. Claramente não há melhor maneira de emborcar uma litrada de Weissbier (ou outra cerveja qualquer, o que não falta é escolha) do que enquanto se ouve música "pimba" bávara.

Depois, há as empregadas. Fortes, rudes, antipáticas, são a imagem de marca de qualquer restaurante bávaro que se preze. Capazes de derrubar qualquer pessoa com o dedo mindinho - não, não estou a exagerar - nasceram sem a capacidade de sequer mostrar os dentes, quanto mais sorrir. São capazes de transportar apenas em dois braços até 20 canecas de um litro de cerveja cada, sendo que cada caneca de vidro grosso deve pesar pelo menos meio quilo, o que deve dar um peso total de uns trinta quilos pelo menos. Desempenham o seu trabalho de forma mais ou menos eficiente, com cara de más, e ar de quem vai sacar do chicote a qualquer momento. Enfim, o céu dos masoquistas deve ser parecido com um restaurante bávaro.

Para os bávaros, a comida deve ser uma coisa muito importante. Tanto em quantidade - tanta quanto possível - como em qualidade - com o maior número de calorias possível. Provavelmente é por isso que imensos pratos têm molho de natas e não há praticamente nada saudável que se possa comer nestes locais. Além de servir salsichas de toda a maneira e feitio, um restaurante bávaro tem que servir cabrito (ou será cordeiro) em diversas modalidades, assim como o inevitável porco. E todas as partes do animal são aproveitadas. (Quando me ofereceram bochechas de porco quase me dava uma coisa.) Um prato que poderia ser simples, a sempiterna Schnitzel (panado de carne de porco), num verdadeiro restaurante bávaro vem acompanhada batatas cozidas que depois vão ao forno, e de um prato de salada de batata, alface, cenoura, e sabe-se lá que mais, além de a própria schnitzel ser suficiente para alimentar pelo menos duas pessoas. Eu não consigo comer sequer metade de uma refeição destas (e fico a chorar-me pela sobremesa que já não me cabe na barriga), mas quem me acompanha regala-se com a metade da schnitzel que eu não como. Deve ser por isso que tenho tantos amigos...

Finalmente (e passando a cerveja à frente), as sobremesas são realmente boas. Principalmente as que levam maçã e molho de baunilha quente (gelado de baunilha tambem serve mas não é tão bom). Uma fatia de apfelstrudel com molho quente de baunilha é do melhor que há, e olhem que eu não distribuo elogios assim sem mais nem menos. É tão bom (e mais uma vez, a quantidade é enorme) que às vezes só me apetece saltar a parte do almoço e passar directamente à sobremesa.
Em termos de comida, acho que os restaurantes bávaros são o céu do pessoal que adora comer em quantidade.

Nestes restaurantes tão selectos há uma coisa engraçada chamada "stammtisch". É uma mesa (ou mais) reservada permanentemente para os clientes habituais. Só as elites se podem sentar na stammtisch. Este clube restrito não inclui VIPs daqueles que aparecem na televisão, mas sim os verdadeiros bávaros, que falam em dialecto e têm a sua própria caneca de cerveja dos idos anos de 1800 e troca o passo guardada no restaurante. Claro que estes senhores se vestem unicamente com as roupas tradicionais da Bavária. O verdadeiro mistério é como é que alguém se pode tornar membro da stammtisch de um restaurante. Alguns dizem que é impossível. Outros dizem que nunca ninguém se atreveu a tentar. Pessoalmente, já vi tentativas de alguém mais atrevido de se sentar a uma destas mesas, de onde foi rápida e violentamente escorraçado. Se calhar, a stammtisch é o céu dos bávaros.
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Inacreditável

12 de Abril, e ainda neva. Na rádio anunciam que hoje é o último dia de inverno. Ainda bem que avisam. É que não tinha dado por nada.
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segunda-feira, abril 10, 2006

Dúvidas existenciais

tenho um PC com mais de 3 anos. No ano passado, para o aguentar, comprei-lhe um disco externo (300GB), placa gráfica e memória RAM. Tudo porque na altura tinha um jogo que não funcionava bem com o PC original (original se não contar o gravador de DVD que lhe meti mais tarde, mas que não interfere em nada com a performance do jogo).
Um ano volvido, tenho outra vez o mesmo problema, com um jogo diferente, claro. E agora já não sei que faça. Ou compro um PC novo ou então preciso de lhe fazer um update dos dolorosos. Motherboard nova, processador novo, e o resto depende. Talvez os discos (2 discos internos de 40GB cada) ainda dêem, talvez não. Talvez a RAM ainda dê, talvez não. Quanto ao resto (CD-Rom, DVD-Rom, drive de disquetes, disco externo, placa de rede e modem) não deve dar problemas. Será que o custo de substituir estas coisas é realmente mais baixo do que comprar um PC novo e pronto? E se sim, será que vale o trabalho?
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Avariada

Não há nada como mudar a rotina de vez em quando. Mesmo que sejamos forçados a isso. Aliás, há lá outra maneira de mudar a rotina a não ser obrigados? É por isso que a rotina é rotina, é porque não temos vontade de nos mexermos e fazermos outras coisas.
Devido a uma avaria engraçada (mais engraçada ainda é a tentativa de resolução da avaria enunciada pelos "técnicos" que pareciam estar a arranjar motivo para se rirem de mim mais tarde) estou condenada, por uns dias, a ver um canal, ou nenhum. Podia ser pior. Entretanto finalmente arranjei tempo que me faltava para ver a colecção de DVDs que se estava a acumular. Sempre tem a vantagem de não ter intervalos, de o som não aumentar muito de volume quando a publicidade começa, e poder parar a qualquer momento a transmissão porque me apetece ir buscar alguma coisa à cozinha. Quanto a ler, parece me me deixei disso. Eu que li tantos livros toda a minha vida, já não tenho tempo, paciência ou sequer vontade para ler. Só nas férias de verão é que consigo continuar a devorar livros a alta velocidade. No resto do ano, só coisas relacionadas com trabalho (e já não é pouco).
Assim de repente sinto-me como se tivesse tirado férias da minha vida normal.
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Aldeia Global

Andamos todos nos mesmos lugares. Mesmo que a nossa vida seja em Portugal, Espanha, Alemanha, França, Holanda, Suíça, Brasil e EUA, há sempre locais onde a probabilidade de nos encontrarmos é grande. Em "casa", que é como quem diz, onde nos conhecemos, onde estudámos, onde vivemos, onde andam as nossas famílias, onde andam aqueles amigos que ainda conseguimos visitar. E nos aeroportos. A vida dá muitas voltas. Os empregos também. Encontrar um dos tipos com quem nos baldávamos às aulas num destes locais improváveis é apenas mais uma prova de que todos nos movemos em círculos. E estes círculos, de vez em quando, intersectam-se.
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domingo, abril 09, 2006

Horas perdidas

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sábado, abril 08, 2006

Sabes que ainda nao te devias ter levantado da cama...

...se, em vez de deitar o leite na chávena, o poes na embalagem do chocolate em pó.
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quinta-feira, abril 06, 2006

No meio

Há coisas na vida que sao estranhas. Crescer é estranho. Passar de crianca a adolescente, de adolescente a adulto, é estranho. Nascer, deve ser mesmo muito estranho. No fundo, as mudancas sao estranhas. E mesmo assim, está tudo sempre a mudar. As pessoas crescem, fisicamente, emocionalmente, espiritualmente. Mudam aspectos das suas personalidades, mudam de opinioes, mudam os locais que frequentam, mudam de amigos, mudam de emprego, mudam de vida.
Quando somos miúdos, parece tudo natural. Há os "grandes" e os "pequenos", os que nos dao porrada, e aqueles a quem damos porrada. Os professores, e os outros alunos, companheiros de aprendizagem e de brincadeiras. Sabemos que temos que ir para a escola, para aprender e um dia "sermos alguém". Professor, médico, engenheiro, arquitecto, electricista, mecânico, cozinheiro. Limpa chaminés. Varredor. Jardineiro. Jornalista. Animador de rádio. Actor. Cantor. Músico. Bombeiro. Cientista. Astronauta.
Ambicionamos um dia ser uma destas coisas, ou outra parecida. Ter um emprego, saber fazer alguma coisa. Mas durante muito tempo é a única coisa que sabemos é que temos que ser alguém. Nao sabemos o que é que é ser alguém, ou o que é que se faz quando finalmente somos alguém.
E um dia, finalmente, depois de tanta aprendizagem, somos finalmente aquilo que quisemos ser. Sabemos umas coisas. Já nao somos miúdos. Arranjamos um emprego. Trabalhamos. Esforcamo-nos para ser reconhecidos, para ter sucesso, para fazer coisas, para mostrar ao mundo a nossa contribuicao.
E um belo dia, apercebemo-nos de que algo mudou. Os nossos pares já nao sao como nós. Nao crescem ao mesmo tempo que nós. Nao vao evoluindo à mesma velocidade que nós. Nao vivem como nós. Já nem temos a certeza de que realmente temos pares, iguais a nós.
Uns casam, outros divorciam-se, outros têm filhos. Uns mudam de emprego, outros nao, uns ganham bem, outros nem por isso. Uns parecem estar felizes, outros nem tanto, outros parecem carregar às costas o peso do mundo.
De repente parece que já nao sabemos nada. Já nao há a hierarquia de sempre, os mais velhos e os mais novos nao se relacionam como enquanto andávamos na escola. E aparece uma nova categoria de gente nas nossas vidas: "os intermédios". Os intermédios sao os gajos que nao têm idade para ser nossos pais, mas também nao têm idade ter andado connosco na escola. Às vezes tratamo-los como "mais velhos", respeitamos o que dizem e aprendemos com eles, outras vezes tratamo-los como um de nós, vamos todos para os copos dizemos piadas e fazemos parte da mesma malta.
Os intermédios sao uns gajos estranhos. Alguns deles sao muito fixes. Alguns deles sao umas bestas. E os que sao umas bestas tornam-nos a vida difícil. Tudo porque é difícil compreendê-los. Alguns desforram-se em nós por estarem frustrados com a vida deles. Outros parecem ter prazer em fazer os outros andar à nora. Mas, mais importante ainda, os intermédios fazem-nos pensar no que é que nos vamos tornar nos próximos anos. Eles sao uma espécie de previsao do futuro. Podemos aprender com eles como nos tornar em alguém que nos agrade.
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quarta-feira, abril 05, 2006

Há neve, e nao é em Nova York

Ah pois é, meus amigos. Estamos a 5 de Abril. Nao é dia das mentiras. A primavera começou há duas semanas, pelo menos no calendário. No fim de semana passado até esteve sol. Eu até diria que esteve bom tempo, porque os últimos restos de neve desapareceram, os miúdos brincaram na rua, e até se esqueceram dos casacos em casa. Mas entretanto, tudo mudou. A primavera (qual primavera) acabou-se, as promessas de sol regelaram, e aneve está outra vez aí. Já nao posso com ela. Estou farta, fartinha, fartíssima. Vou emigrar outra vez, nao tarda nada. Nem que seja só por quinze dias. Preciso de sentir que realmente há primavera, e que o inverno nao é, afinal, eterno.
Mas afinal, onde é que pára o aquecimento global?
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terça-feira, abril 04, 2006

A aposta

Na semana passada tive um golpe de génio (pois). Discuti (no bom sentido) um assunto com um colega, e tínhamos opinioes divergentes. Até nem tinha grande importância. Tinha tao pouca importância que fizémos uma aposta sobre isso. E o resultado da aposta seria, quem perdesse teria que fazer um bolo de chocolate para o pessoal todo. Eu cumpri a minha parte. Mas gostava que houvesse mais iluminados a fazer apostas destas. Afinal de contas, há um monte de gente que vai comer bolo de chocolate sem ter feito nada por isso... :P
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O guarda-chuva

Saio do trabalho, e começa a chover violentamente. Como ontem já tinha apanhado uma chuvada daquelas que encharcam uma pessoa em 5 minutos, e nem assim aprendi e saí de casa com um guarda-chuva, desta vez fui imediatamente à loja que vende guarda-chuvas mais próxima. Entrei, escolhi um barato (pois, que a minha coleçao de guarda-chuvas nao é muito refinada, e por opçao, afinal, quem é que precisa de 27.956 guarda-chuvas, um por cada vez que fui à rua e começou a chover), paguei e saí. Nao demorei mais que dois minutos, até porque os guarda-chuvas estavam mesmo à mao de semear, a um metro a entrada e a outro metro da caixa. 3 euros e meio muitíssimo bem gastos, pois duvido que o meu casaco, um dos meus favoritos, sobrevivesse a outra molha descomunal.
E o que é que acontece mal eu saio da loja? O óbvio. A campanha de marketing termina, a chuva pára completamente, e aparece um sol radioso. Mas como é que a loja nao se lembrou disto há mais tempo? Agora percebo porque é que quando entrei e me dirigi para os guarda-chuvas umas senhoras olharam para minm à socapa e riram-se. Elas sabiam o que se estava a passar. Comprar um guarda-chuva só porque está a chover nao deve ser lá muito normal.
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segunda-feira, abril 03, 2006

Aldeia Global

Ultimamente tenho encontrado alguns conhecidos na net. Pessoas com quem privei em alguma altura da minha vida, com quem já nao falo há vários anos, de quem nao ouço falar, e de quem já nao esperava saber nada. É engraçado saber o que é que lhes aconteceu, e o quanto as suas vidas mudaram (ou nem tanto).
Nao é só o mundo que é pequeno. À medida que cresce, até a internet se torna pequena.
Ou entao, nós é que temos tendências a mover-nos sempre nos mesmos círculos. Na vida, no globo, ou no mundo virtual, que mais uma vez mostra até que ponto se pode assemelhar à vida real.
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Colaborar

Embirro com o termo "colaborador". Parece-me sempre uma maneira de eufemizar alguma coisa de que se tem vergonha, ou de mimimizar a participação de alguém. Até pode ser politicamente correcto. Mas não me agrada nadinha.
Chamar à empregada doméstica, ou à mulher a dias "colaboradora", só pode ser piada. Sim pois, ela até colabora, faz aquilo que lhe pedem (ou o que lhe mandam?), mas a troco de quê? Do prazer de colaborar?
E o colaborador do jornal, que afinal era mas era um repórter que escrevia um texto todas as semanas, tinha prazos a cumprir e um monte de gente que se achava chefe dele? Chamavam-lhe colaborador só porque trabalhava a recibos verdes, porque não tencionavam dar-lhe um contrato (nem mesmo a prazo) e o verdadeiro título que corresponderia às tarefas que desempenhava.
Um colaborador trabalha, coopera, desempenha funções que levam a um determinado objectivo. Mas não é um trabalhador. Não é um engenheiro, um arquitecto, um médico, um enfermeiro, (mesmo que seja) é um gajo que está ali por acaso para dar um jeito e que mais tarde ou mais cedo irá à sua vida. Vida essa onde não colabora apenas, mas que vive, a 100%.
Deve ser por causa do carácter temporal do termo que embirro tanto com ele. Um colaborador é alguém que não está para durar. Desempenha alguma função, mas só até que a chuva passe. Não se põem as mãos no fogo por um colaborador. Sabe-se lá o que é que ele andou a fazer, ou o que é que ele irá fazer. Um colaborador é alguém que, por mais próximo que nos possa ser, quanto mais não seja porque está lá a dar o coiro por nós todos os dias, queremos que saiba que é um estranho, e que continuará a ser um estranho. Senhor colaborador, mantenha-se no seu lugar. Faça o seu trabalho, e não nos venha dar opiniões. Se se fartar, a portinha é ali. E de onde você veio, há muitos outros à espera de uma oportunidade de colaborar
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Formação

isto de me mandarem a uma segunda feira de manhã para um curso de formação está mal. Muito mal. Primeiro, porque ainda estou a dormir (só costumo acordar do fim de semana depois do almoço de segunda). Segundo, porque um curso de "computers for dummies" não é para mim. Quando o instrutor veio com um " e se clicarem no botão que diz expand isto expande a seleção, e se clicarem no botão que diz colapse isto faz com a selecção de documentos se resuma ao título" quase me dava uma coisa. Felizmente tinha um computador ligado à net à minha frente, e podia discretamente ir fazendo um update às minhas leituras. Os cromos que se baldaram é que fizeram bem.
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sábado, abril 01, 2006

Sandálias

Hoje senti-me tentada por umas sandálias giríssimas. Mas quando reparei na marca, mudei de ideias rapidamente. Ainda para mais estava escrita em local visível. Quem terá tido a brilhante ideia de pôr o nome de "sanita" a uma marca de calcado?
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As saudades que eu tinha disto

Os dias nao sao de sol intenso, nem sequer de sol ininterrupto, mas ainda assim já suficientemente quentes para os miúdos brincarem no parque. Os alemaes, com a sede de sol que estavam, deixaram as compras para outra altura e foram aproveitar o bom tempo. Nao tarda nada, vêm aí os churrascos, os almocos e jantares nos jardins, o pequeno almoco na varanda. Faco figas para que só chova durante as noites (fazer figas para que nao chova é totalmente inútil).
E ainda mais animador é saber que os dias vao ficar ainda maiores. Esta é a minha altura do ano preferida.
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