quinta-feira, março 22, 2007

O homem do Norte

Há tanto tempo que ando por cá, e até agora, ainda não tinha visto um alemão digno de um olhar mais demorado. Quase que me convenci que por cá não havia gajos giros*, que é que se há-de fazer, ou que os que há são na sua maioria italianos, mas afinal eu é que tenho andado pelos sítios errados. Quem me manda a mim andar a passear pelos sítios normais, onde as pessoas normais fazem compras ou vão ao café, ou melhor ao restaurante que o café por aqui é um luxo que nem sequer faz sentido, pois os bolos que vêm a acompanhar não valem nadinha. Continuo sem saber onde é que os gajos giros se escondem, embora já faça uma ideia, mas avistei um desses espécimes, e agora tenho a certeza que existem. Pois, é que isto não foi uma miragem. Eu estava acordada, e bem acordada, a ouvir o loiraço falar (eu até nem gosto de loiros por princípio) e a pensar que este tipo deve ter saído de uma revista qualquer, só pode. É que também não é todos os dias que se encontra um tipo de camisa branca, que nem é bem uma camisa é mais uma túnica, aberta qb, sem se verem pelos do peito (que horror) nem fios com cruzes nem nada dessas coisas, mas com uma gravata preta por dentro da camisa. É preciso ter-se um carácter forte para se fazer uma coisa destas. E o tipo, enquanto falava, olhava-me nos olhos, como deve ser, e eu já nem ouvia nada (até porque não estava a perceber metade das coisas) e só pensava, mas de onde é que este gajo saiu? E fiquei a saber que tem olhos azuis, eu nunca reparo nos olhos das cores, nas cores dos olhos das pessoas, apesar de as olhar sempre directamente, só não me consigo lembrar, e fiquei a cismar naquele azul, e na barba meia feita, completamente hipnotizante, nunca me tinha apercebido que as barbas loiras são giras, e as rugas de expressão no cantinho dos olhos, que até lhe davam mais charme, mas como é que isso pode ser.
No fundo no fundo, o tipo até podia ser giríssimo, mas o mais cativante de tudo, era o entusiasmo com que ele estava a trabalhar. Por muito bonito que seja um tipo, sem algo mais isso não serve para nada, nem sequer para voltar para casa e pensar mais um segundo que seja nele. Aquele entusiasmo, isso sim, transmite-se, contagia, e no fim além do projecto em que trabalhámos, a questão que fica a bailar na minha mente, durante horas e horas e horas, é esta: se ele não fosse assim tão extraordinariamente belo (porque é que estas palavras me fazem lembrar o nono ano?), será que o entusiasmo dele teria servido de alguma coisa?

*excepto o meu gajo, para mim o mais giro de todos, por todos os motivos e mais algum
2 comentário(s)

2 Comentário(s):

os alemaes giros sao austríacos...

By Anonymous polliejean, at 7:13 da manhã  

Aqui não há nada de jeito para sessões de hipnotismo :(

By Blogger edelweiss, at 1:45 da tarde  

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