terça-feira, janeiro 16, 2007

Geralmente

Irritam-me as generalizações. Todas. As mulheres isto. Os homens aquilo. Os meninos isto. As meninas aquilo. Os velhos são assim. As sogras são assado. As loiras isto. Os ciganos aquilo. Os estrangeiros aqueloutro. Fico com a impressão que quem generaliza não faz a mínima ideia do que está a falar. Não conhece excepções às afirmações que faz (se conhecesse, não as fazia). Não vive, passa pela vida como um passageiro adormecido num transporte público, que só acorda depois da sua paragem.
Ainda assim, já me irritou mais. Já perdi horas e horas infindas a contradizer generalizações. Hoje em dia, deixo passar. Falta-me a paciência para contra-argumentar. Para apresentar meia dúzia de exemplos. Além das generalizações, irritam-me as discussões intermináveis. E no fundo, nada daquilo me interessa. Quem generaliza, não vai mudar de opinião só porque há exemplos contrários. Ou factos estatísticos que provem que está enganado. E eu também não.
Não é que tenha desistido completamente. Mas já só faço "o meu" comentário. Não discuto. Se é tão importante para eles, levem lá a bicicleta. Se não estão interessados no que os outros possam pensar, se não querem saber das, para eles, excepções (ainda que as tais "excepções" possam na verdade ser a regra), que fiquem com a taça. Tenho mais que fazer.
3 comentário(s)

3 Comentário(s):

Concordo contigo, não gosto de generalizações. A não ser quando são feitas por puro gozo, por prazer de o dizer só pelo bitaite sem intenções específicas. Acho que há demasiada seriedade por aí para não se fazer isso de vez em quando.

De resto sem dúvida que há excepções, e são precisamente essas que dão interesse às coisas. Mas nas generalizações têm de ser suprimidas, especialmente quando as generalizações, se feitas de forma séria, até estão correctas. O que há depois a fazer é contar a excepção com uma boa hostória interessante por detrás. E aí fica-se com dupla história: a da generalização (desde que com piada) e a da excepção que a contradiz a pés juntos.

By Blogger JSA, at 9:21 da tarde  

Tenho uma experiência parecida. Eu afino com os preconceitos. Os ciganos isto, os imigras aquilo, de tal modo que já entrei nessas discussões intermináveis em que ninguém ganha (normalmente fica por "bem tu não vais mudar a minha opinião e já vi que não vou mudar a tua"). Acho que esta minha aversão vem de ter sido uma generalização durante toda a minha infância escolar. Basicamente era generalizado com rótulos muito pouco agradáveis desde a 4ª classe ao 9º ano. Por consequência tornou-me mais atento, durante a dolescência, a ouvir o lado dos ostracizados.

Por outro lado, o mundo não parece funcionar sem generalizações e rótulos. Ou as pessoas interiorizam, depois de fazerem a inevitável generalização, que cada caso é um caso ou então continuará a haver injustiça.

Mas depois provavelmente perdíamos todo o sentido de humor. Como o/a JSA disse, o humor parece precisar das generalizações. Eu faço isso quando escrevo até de mim.

Se descobrires como resolver este paradoxo... deixa um comentário:).

By Blogger Bratt Jones, at 9:48 da tarde  

As generalizações ainda se aguentam. As discussões intermináveis são bem piores, principalmente para quem, como eu, defende o sistema KISS - Keep It Short and Simple.

By Blogger edelweiss, at 12:15 da tarde  

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