terça-feira, janeiro 30, 2007

Aborto
(uma só vez)

Se eu, mulher portuguesa a residir na Alemanha, fizer um aborto segundo as condições legais alemãs, estou a desrespeitar a lei portuguesa, e como tal mereço ir para a cadeia durante 3 anos?
E, nesse caso, porque é que eu, uma mulher portuguesa a residir na Alemanha, não posso votar no referendo?


Escrevi isto ontem, e não publiquei porque não me quero meter em discussões sobre o referendo. Já me meti em mais discussões do que queria na altura do primeiro referendo, e cansei. Eu tenho a minha opinião, que não vai mudar independentemente do que diz quem pensa o contrário, e duvido muito que a opinião dos outros, daqueles que têm o discurso mais radical, mais irritante, mais enervante, vá mudar por ouvirem o que eu digo. Eu acredito que as pessoas, tendo liberdade para escolher, escolherão sempre o que é melhor.

De qualquer modo, hoje revisitei este assunto numa conversa por email, e acabei por publicar este meu pequeno desabafo. E, a propósito dessa conversa, descobri as respostas às minhas perguntas.

1 - Os portugueses residentes no estrangeiro não podem votar no referendo (informação daqui).
2 - Como residente noutro país, a lei penal portuguesa (incluindo o aborto) não se me aplica (informação daqui). Do mal o menos.

Isto leva-me a outra questão. Portuguesas, acham justo que eu, Maria da Silva, nascida e criada em Portugal, obrigada a ir à missa até aos 18 anos (praticamente...), obrigada a ter aulas de religião e moral até ao décimo primeiro ano de escolaridade, residente na Alemanha, possa fazer um aborto sem ter que me esconder, sem ter vergonha, porque não tenho dinheiro para o criar, ou porque o pai deu à sola quando lhe disse que estava grávida, porque sou muito nova, ou por qualquer outro motivo que eu ache forte, e que a única sanção que poderei sofrer será algum peso na consciência - se a minha consciência mo ditar - e vocês não tenham sequer escolha?
3 comentário(s)

3 Comentário(s):

Aí está!
O importante é dar o poder de escolha à mulher! Ás claras! Apenas a responder à sua própria consciência.
SIM à despenalizacao da interrupcao voluntária da gravidez!

Beijinhos :)

By Blogger Mamaíta, at 9:42 da manhã  

Acho que se devia poder votar no referendo, estamos fora mas continuamos a ser portugueses. Quanto à lei aplicável não há nada a fazer, é uma questão de Direito Internacional.

By Blogger edelweiss, at 3:54 da tarde  

Também sou a favor da despenalização. Infelizmente é uma realidade então que seja devidamente regulado e controlado. O aborto é e será sempre uma questão de consciência, não acredito que com a despenalização vá aumentar.
Pois...essa de não se poder votar tb fiquei espantada!!!

By Blogger Micas, at 9:29 da tarde  

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