segunda-feira, janeiro 24, 2005

Direitos Humanos na China

No DN de ontem, o artigo "métodos desumanos na China" fala sobre as condições de "vida" de um trabalhador na China.
No primeiro parágrafo, pode ler-se:
"Como podemos competir com a China? Lá, trabalha-se 16 horas e recebe-se 40 euros por mês. O que os chineses são é escravos. Há alguma justiça nisto?"

Eu não sei a resposta a esta pergunta. Obrigar os produtos "made in China" a pagar alguma taxa de importação seria uma ideia, mas acho que foi precisamente essa ideia que foi abandonada recentemente ao abrir os mercados à China. Mas a minha resposta, por insignificante que possa ser, é não comprar nada que tenha uma etiqueta "made in China". É o resultado das influências da Paulita, mas se não fosse ela, eu ainda hoje deitava os papéis ao chão e as garrafas de vidro no lixo. E às vezes tenho bem pena (de não comprar certos produtos, não de reciclar/deitar no contentor o lixo)... há coisas bem giras, e algumas de boa qualidade que gostaria de comprar, mas a minha "voz interior" impede-me. Mas espero que ao eu passar sem essas coisas, alguém, algum dia, perceba a mensagem. Se não perceber, ao menos eu não contribuí para as condições de trabalho miseráveis dos chineses.

Já agora, para quem não acredita no poder do "mercado": lembram-se quando a Indonésia andava a matar gente em Timor Leste, e houve uma campanha para que não se comprasse nada "made in Indonesia"? Essa campanha teve resultados. As pessoas não compravam produtos indonésios. O mercado ressentiu-se, e independentemente de essa acção ter surtido efeito ou não, a mensagem passou. Eu ainda hoje não compro coisas feitas na Indonésia.
4 comentário(s)

4 Comentário(s):

Sabes que é esse tipo de sentimento (o que tu tens agora, atua voz interior impedir-te de cometeres pequenos delitos) que me faz continuar a chatear TODA a GENTE para reciclar e comprar produtos Portugueses? Às vezes gostava de ter um bocadinho mais de dinheiro para comprar só mesmo produtos portugueses, mas infelizmente às vezes não dá mesmo. É verdade, recentemente descobri outro produto com uma marca portuguesa. São os relógios da marca one (já me fartei de procurar na net pelo site mas não encontrei)e até são muitos giros e com preços acessíveis! Acabaram-se os swatchs!

By Blogger Paulita, at 3:45 da tarde  

E para não deitar lixo ao chão, não te esqueças!!! :-) Foi assim que começou, há muitos anos atrás, remember? ;-)
Continua assim Paulita, água mole em pedra dura... ou melhor, ser chata compensa! ;-)

By Blogger Snowgaze, at 3:55 da tarde  

Santa ignorância!!! Anda o mundo inteiro a tentar acabar com as barreiras ao comércio e vocês aqui a apoiarem a imposição de tarifas!!! E mais: é mesmo uma pena que o "Sr."Snowgaze não compre nada à Indonésia, pois eles agora bem que precisavam, coitados!! Provavelmente viu o que aconteceu a 26 de Dezembro, e provavelmente ficou (como qq ser pessoa com sentimentos) chocado e sentiu solidariedade. E provavelmente pensou: "o que poderei fazer para ajudar??" Pois bem, a resposta é simples: a primeira coisa a fazer é acabar com esse seu "embargo" aos produtos made in Indonésia!!
Quanto ao facto dos salários na China serem muito mais baixos e as horas de trabalho superiores: isso não afecta Portugal da forma que estes comentários querem fazer crer. Temos que apostar em produtos de maior qualidade e num aumento da produtividade! (2 coisas que não existem, na China, e em todos os locais onde os trabalhadores são obrigados a trabalhar como escravos por salários miseráveis!)

By Anonymous Anónimo, at 4:16 da tarde  

Já cá faltava.
Em primeiro lugar, para que o fim das tarifas fosse eficaz, era necessário que as tarifas acabassem em todo o mundo (o que não acontece), e que os países acabassem com os subsídios à produção (o que também não se verifica).
Os salários na China afectam mais do que Portugal, afectam o mundo inteiro. E ao contrário do que o "Sr." Anonymous quer fazer crer, Portugal tem muitos produtos de qualidade. E, caso se tenha esquecido, segundo a análise feita, salvo erro no ano passado, pela prestigiada McKinsey, a falta de produtividade em Portugal deve-se à economia paralela, às cunhas e aos impostos não pagos. Não é por ter 10 pessoas a chicotear um trabalhador que ele vai produzir mais. E enquanto os gestores das empresas ganham salários e benesses da ordem do que a empresa produz, nem deviam abrir a boca para falar de produtividade.
E mais. Eu gostava de saber como é que seria se o Estado deixasse de subsidiar as empresas como o faz! Se não são capazes de sobreviver, então que fechem. Se alguém acredita na iniciativa privada, então que deixe de subsidiar sorvedouros de dinheiro que não acrescentam nada ao país.

"Coitados" dos Indonésios, diz o "Sr." Anonymous... já se esqueceu das atrocidades em termos de direitos humanos que eles cometeram e continuam a cometer? Eu não.

By Blogger Snowgaze, at 4:39 da tarde  

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